Daryl Hall & John Oates em show quase acústico

Mar
9

Por Fabian Chacur

A única coisa mentirosa deste Live At The Troubadour é o subtítulo, unplugged (acústico). Não se trata de uma gravação totalmente acústica. Embora os violões fiquem à frente, temos também teclados e baixo elétricos.

De resto, o novo lançamento da dupla Daryl Hall & John Oates que chega às lojas nacionais pelo selo Coqueiro Verde é uma verdadeira maravilha. Pena que inclua um dos últimos registros do genial baixista e arranjador T-Bone Wolk, cuja morte eu noticiei em post anterior aqui em Mondo Pop.

Gravado em 2008, trata-se de um registro histórico da volta da dupla ao primeiro lugar no qual eles se apresentaram na cidade de Los Angeles, no distante 1973. Esse mesmo lugar, por sinal, marcou a estreia de Elton John em solo americano.

O DVD inclui 19 músicas, enquanto o CD ficou com 13 (enfatizando os maiores sucessos e deixando de lado músicas menos conhecidas). Os novos arranjos das músicas da dupla são no mínimo interessantes.

Algumas canções se encaixaram feito luva no formato violões à frente, como Everything Your Heart Desires e Sara Smile. A maravilhosa When The Morning Comes, então (do primeiro CD deles, Whole Oats), foi feita para esse estilo de arranjo.

Da ala menos conhecida, mas não menos legal, temos também canções como It’s Uncanny e Abandoned Luncheonette, e até mesmo uma da carreira solo de Daryl Hall, Cab Driver.

Do caminhão de hits gravados por eles em seus quase 40 anos de estrada, temos também One On One, Say It Isn’t So, Private Eyes, Kiss On My List e Rich Girl, entre outras.

A voz de Daryl Hall continua quente e negroide, acompanhada com habilidade pela de John Oates, que dá um banho no violão. A banda é afiadíssima, com direito até ao saxofonista que gravou os solos nos maiores hits da dupla, o mítico Charlie De Chant

O clima intimista do Troubadour ajuda a criar uma interação forte entre a dupla e a plateia, o que tornou o registro em CD e DVD ainda melhor. Recomendo com entusiasmo, ainda mais pelo preço do exemplar brasileiro de CD e DVD estar sendo vendido a preço bem acessível, em torno de R$ 15 (CD) e R$ 25 (DVD).

Os 60 anos e a saudade de Karen Carpenter

Mar
3

Por Fabian Chacur

Esta terça-feira, dia 2 de março, deveria ter sido um dia de festa em uma certa casa nos Estados Unidos. A cantora Karen Carpenter sopraria velinhas e comemoraria o fato de virar sessentona. Deus não quis.

A dona de uma das vozes mais doces, belas e de tom levemente melancólico nos deixou em um triste 4 de fevereiro de 1983, antes mesmo de completar 33 anos. Ficaram a saudade e também uma obra repleta de pérolas sonoras.

Ao lado do irmão Richard (pianista e arranjador), Karen criou o grupo The Carpenters, que entre1969 e 1983 lançou trabalhos irregulares, sim, mas nos quais os momentos brilhantes foram de altíssimo quilate.

Os irmãos americanos não revolucionaram a música, não investiram na rebeldia nem quando eram moleques e na verdade equivaliam a uma espécie de retomada da tradição pop dos anos 50.

Românticos, não contestadores e bem-comportados, eles nos entanto nos proporcionaram belas canções sobre amores realizados e desfeitos, saudade, ingenuidade e aquelas coisas bonitas de que tanto gostamos, embora às vezes tenhamos vergonha de admitir.

São diversas as canções da dupla de que gosto. Rainy Days And Mondays, Close To You, Superstar, We’ve Only Just Begun, Yesterday Once More, I Need To Be In Love Solitaire são provavelmente as minhas favoritas.

As releituras de sucessos alheios também costumavam ser bem interessantes, com destaque para a versão mais lenta de Ticket To Ride, dos Beatles, e a leve e gostosa Please Mister Postman, que tanta gente regravou.

De certa forma e em termos mais de espírito, os Carpenters são muito próximos do Abba, outra grande banda pop dos anos 70. Eles eram românticos, populares e vez por outra se atolavam com tudo no brega, mas quando acertavam….. Era música para sempre.

Confesso que algumas das músicas dos Carpenters me fazem chorar de emoção, mesmo hoje. Pode ser devido a lembranças da minha infância/adolescência. Pode ser por lamentar o fim tão precoce de Karen.

Sei lá! O importante é ouvir esse trabalho, que foi reabilitado pelos “descolados” a partir de 1994 com o lançamento do CD tributo If I Were a Carpenter, com participação de Sonic Youth, Sheryl Crow, Cranberries, Grant Lee Buffalo e outros nomes bacanas.

Aliás, a versão do Sonic Youth para Superstar é simplesmente genial. Ouça agora! Lógico que a gravação original é melhor, mas uma não invalida a outra.

Morre o baixista e produtor T-Bone Wolk

Feb
28

Por Fabian Chacur

Morreu neste sábado (27) vítima de um ataque cardíaco o baixista e produtor americano T-Bone Wolk. Ele tinha 58 anos, e vai deixar muita saudade, pois seu currículo na área musical foi dos mais significativos.

Seu primeiro grande destaque no meio musical foi ao tocar baixo na gravação de The Breaks (1980), um dos primeiros clássicos do rap, gravada pelo autor, o rapper Kurtis Blow e sucesso inclusive no Brasil.

Ele entrou na banda de Daryl Hall & John Oates em 1981, participando do álbum Private Eyes. A partir daí, tornou-se presença constante nos trabalhos da dupla, inclusive no recente Live At The Troubadour, que comentarei em breve aqui em Mondo Pop.

Wolk também atuou ao lado de Elvis Costello, Billy Joel e Carly Simon, só para citar alguns nomes importantes, e fez parte nos anos 80 e parte dos 90 da banda do programa televisivo Saturday Night Live ao lado de seu colega de Hall & Oates, o guitarrista G. E.  Smith.

Wolk era baixista, mas também tocava diversos outros instrumentos e fazia arranjos com desenvoltura.

Um grande músico que você poderá ouvir para sempre em discos como Private Eyes, H2O, Big Bam Boom e outros (Hall & Oates), Spike e King Of America (Elvis Costello), Coming Around Again (Carly Simon) e inúmeros outros. Descanse em paz, mestre!

Peter Gabriel esbanja classe em CD de covers

Feb
28

Por Fabian Chacur

Desde seus tempos de Genesis, banda que integrou do final dos anos 60 ao meio dos 70, Peter Gabriel teve como marcas a ousadia, o bom gosto e a bela voz. Nem sempre acerta, mas o faz com uma frequência significativa.

Em seu novo trabalho, Scratch My Back, ele resolveu gravar apenas canções de outros autores. Mas partindo de dois pressupostos: sem se valer de guitarra e bateria e num esquema “toma lá, dá cá”.

Explico melhor o segundo ítem. Gabriel releu canções de 12 grupos/artistas, que por sua vez irão devolver o carinho relendo canções do repertório do astro britânico.

Na verdade, a ideia era lançar os dois discos juntos, o segundo com o título I’ll Scratch Yours, mas a disponibilidade restrita de alguns dos convidados obrigou o segundo CD a ser progamado para um futuro não muito distante.

Com arranjos a cargo de John Metcalfe (ex-integrante do grupo oitentista Durutti Column) e uma eficiente orquestra montada para acompanhá-lo, o neste disco apenas intérprete mostrou muita competência e sensibilidade.

A rigor, apenas Heroes, de David Bowie, ficou muito inferior à imbatível versão original do álbum homônimo de 1977. As outras nos oferecem novos ângulos e ressaltaram de forma criativa as belas melodias de cada uma delas.

Alguns momentos se sobressaem, como Listening Wind (dos Talking Heads, de seu clássico CD Remain In Light, de 1980), The Boy In The Bubble (de Paul Simon, do CD Graceland, de 1986) e Philadelphia (de Neil Young e trilha do filme estrelado por Tom Hanks nos anos 90).

O CD também inclui músicas dos repertórios de Bon Iver, Lou Reed, Arcade Fire, Randy Newman, Radiohead, Elbow, Regina Spektor e Magnetic Fields.

O timbre vocal de Peter Gabriel continua belo e inconfundível, encaixando-se feito luva na proposta mais intimista e melódica de Scratch My Back. Um disco conciso, sofisticado e de muita qualidade.

Carlos Santana promete CD de covers para breve

Feb
26

Por Fabian Chacur

Enquanto realiza uma bem-sucedida série de shows em Las Vegas e se prepara para uma turnê por Estados Unidos e Canadá, Carlos Santana aproveita para atiçar os ouvidos de seus milhões de fãs.

Desde o início da carreira, no final dos anos 60, o guitarrista mexicano deu provas de saber como poucos reler canções alheias. Vide o que fez com Black Magic Woman, do Fleetwood Mac, e Stormy, dos Classics IV.

Pois ele está em meio às gravações de um novo álbum composto apenas por material alheio. Ainda sem título definido, o CD deve ser lançado ainda em 2010, e o repertório e alguns convidados já foram divulgados.

Rob Thomas, do grupo Matchbox Twenty e conhecido por seu dueto com Carlos em Smooth, está confirmado nos vocais de Sunshine Of Your Love, consagrada com o Cream de Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker.

While My Guitar Gently Weeps, clássico dos Beatles assinado por George Harrison, terá a cantora e compositora de rhythm and blues India.Arie como intérprete.

Outro veterano revelado em Woodstock, Joe Cocker, marcará presença no álbum, mais precisamente em releitura da antológica Little Wing, de Jimi Hendrix, enquanto Scott Weiland (Stone Temple Pilots e Velvet Revolver) será o cantor de Can’t You Hear Me Knocking, clássico dos Rolling Stones.

O repertório também incluirá Fortunate Son, do Creedence Clearwater Revival, e Smoke On The Water, do Deep Purple. Nem é preciso dizer que meu ouvido está coçando para conferir logo o resultado desse trabalho.

Enquanto isso, está estourando por aí uma edição comemorativa dos dez anos de Supernatural, o álbum que trouxe Carlos Santana de volta às paradas de sucesso, com direito a faixas bônus inédita, encarte luxuoso e tudo o mais.

Só para constar: desse cara, eu gosto desde que eu era moleque. Em 1991, tive a honra de cumprimentá-lo e pegar um autógrafo, que guardo até hoje. Santana 3 é um dos melhores discos de todos os tempos. Ouça agora!

Live On The Double Planet- Michael Hedges (1987/Windham Hill)

Feb
24

Por Fabian Chacur

O selo Windham Hill ficou conhecido por ser um dos que ajudou a popularizar a chamada New Age Music, estilo musical pautado por silêncios, reflexões, influências do rock progressivo mais viajante e também da música oriental.

Para os não aficcionados, não é exatamente uma maravilha, e soa chato pra burro. Habitualmente, os não fãs fugiam de novos lançamentos do selo como o capeta da cruz. E isso quase me fez cometer um erro grosseiro.

No final de 1988, recebi da gravadora Polygram, que na época distribuía no Brasil o catálogo da Windham Hill, um LP intitulado Live On The Double Planet de um tal Michael Hedges. “Lá vem bomba”, pensei, de forma preconceituosa. E o disco ficou comendo poeira por semanas.

Um dia, por pura curiosidade, resolvi colocar o álbum no meu toca-discos. E logo na faixa inicial a expectativa negativa despencou ladeira abaixo. Em seu lugar, um sentimento do tipo “não acredito no que estou ouvindo”.

Munido apenas de um violão, o cara mandou ver uma espetacular releitura de All Along The Watchtower, de Bob Dylan e também celebrizada na gravação de Jimi Hendrix.

Atrevo-me a dizer que a versão de Hedges é melhor do que a dos dois mestres. E rapidamente virei fã do cidadão.

Live On The Double Planet é composto por 12 faixas gravadas ao vivo em diversos shows realizados em vários lugares nos Estados Unidos. Neles, o cara aparece apenas em uma delas acompanhado por outro músico, no caso o baixista Michael Manring, na música Rikki’s Shuffle.

De resto, é o exército de um homem só. Só que o cara cantava muito bem e tinha uma habilidade no violão absolutamente absurda, capaz de tocar com várias afinações e também se valendo vez por outra de uma harp guitar, uma espécie de violão com braço adicional de harpa.

O álbum se divide entre faixas instrumentais e outras com vocais. Além da composição de Dylan, também se arriscou (e se deu bem) em Come Together, dos Beatles, e A Love Bizarre, de Prince e Sheila E. . O resto (e que resto!) é tudo assinado por ele próprio.

O que o cidadão faz na instrumental Because It’ s There, por exemplo, é de você não acreditar que está ouvindo apenas um violão. Mas é só ele mesmo. E sem virtuosismos tolos e/ou narcisísticos. A boa música é quem mandava em seus dedos ágeis e em suas cordas vocais.

Atrevo-me a considerar Live On The Double Planet um dos melhores discos do estilo violão e voz da história da música, com um forte tempero rock e pitadas generosas de tudo o que você imaginar de bom: folk, country, jazz, música erudita….

Michael Hedges nasceu na cidade de Enid, Oklahoma, no dia 31 de dezembro de 1953. Estudou violão clássico com afinco, mas logo resolveu também investir em outras sonoridades, misturando tudo e criando estilo próprio.

Ele lançou seu primeiro álbum, Breakfast In The Field, em 1981. A partir daí, foi se tornando conhecido e ganhando amigos famosos como David Crosby e Graham Nash, que participaram de seus discos.

Em 1996, ele se apresentou no Brasil no Bourbon Street, São Paulo, mas o ingresso era caríssimo e infelizmente não pude ver Michael Hedges ao vivo. Mal sabia eu que não teria outra oportunidade.

Em 2 de dezembro de 1997, um grave acidente de carro nos levou esse mestre da música, a poucos dias de completar 44 anos. Uma lástima. Ficaram como legado em torno de 12 discos (incluindo coletâneas) e muita saudade.

30 anos sem Bon Scott, um grande rocker

Feb
22

por Fabian Chacur

Em um triste 19 de fevereiro de 1980, o rock and roll perdeu um de seus grandes vocalistas. Não o melhor de todos os tempos, como alguns exagerados acham, mas sem dúvida alguém que sabia cantar rock como se deve.

Bon Scott deixou o AC/DC na mão justo quando a banda estava perto de atingir o topo nos Estados Unidos. Highway To Hell (1979) atingiu o 17º posto na parada ianque, e a popularidade da banda australiana crescia a cada dia.

Aliás, foi a partir da entrada de Scott no time, em 1973, que a banda liderada pelos irmãos Angus e Malcolm Young decolou. Mais velho (nascido em 9 de julho de 1946), com timbre vocal blueseiro e típico de cantor de rock pesado, ele se encaixou feito luva no som básico e ardido da banda.

Clássicos do repertório do AC/DC tem a voz de Bon Scott como a primeira a tê-los gravado, entre os quais Highway To Hell, Whole Lotta Rosie e Rock And Roll Damnation.

Para mim, If You Want Blood You’ve Got It,de 1978, é um dos grandes álbuns ao vivo da história do rock,  com seu som cru, básico, ardido e direto ao assunto como o rock and roll deve ser.

Bon Scott deixou saudades, mas ganhou um substituto à altura, Brian Johnson, que entrou no time em maio de 1980 e estreou com o melhor disco de estúdio da banda, o infernal Back In Black, que tem na faixa título e em You Shook Me All Night Long clássicos perenes da nação roqueira.

E os caras continuam na estrada 30 anos após a perda de Bon Scott, honrando o cara, que nos deixou aos 33 anos de idade. Quem foi ao show deles no final de 2009 no Morumbi em São Paulo sabe disso.

Sade volta e sacode o mercado pop americano

Feb
19

Por Fabian Chacur

Ficar dez anos fora de cena pode ser mais do que suicídio para um artista pop. Afinal, em uma era na qual novos nomes surgem e somem em questão de meses, imagine uma década inteira sem oferecer nada aos fãs.

Pois foi isso o que Sade fez. E quando digo Sade, eu me refiro ao grupo que atende por esse nome e que é integrado por Sade Adu (vocal), Stuart Matthewman (guitarra, sax, programação eletrônica), Andrew Hale (teclados e programações) e Paul S Denman (baixo).

De forma inteligente, a banda divide suas tarefas, e a cantora nigeriana radicada na Inglaterra equivale ao centroavante matador. Que não seria nada sem seus fiéis escudeiros. Ou seja, ela não é uma artista solo. Ponto.

Voltando ao tema deste post: a primeira década do século 21 ficou em branco para Sade. Nesse período, seus integrantes se preocuparam com trabalhos paralelos, além de cuidar dos filhos. Isso mesmo: cuidar dos filhos.

Mas eles estão de volta. E que volta! Soldier Of Love, oitavo ítem de sua discografia iniciada em 1985 com Diamond Life (incluindo um disco ao vivo e uma coletânea) fez furor esta semana nos EUA.

O CD vendeu 502 mil cópias por lá, o que garantiu ao quarteto uma folgada estreia na ponta da parada mais importante do mundo. É a segunda vez que eles conseguem tal feito. A primeira foi com Promisse, em 1986.

Mais: os oito CDs de Sade atingiram o Top 10 na terra presidida por Barack Obama. Apenas uma banda conseguiu uma sequência como essa, o Led Zeppelin, com seus 10 primeiros trabalhos.

Mas chega de números e vamos ao que de fato interessa, que obviamente é a música. O novo álbum da banda britânica não chega a ser tão bom como o seu momento máximo, Stronger Than Pride (1988), mas não fica longe.

Em seus concisos 41 minutos de duração, temos duas faixas bastante inovadoras em relação ao que Sade já fez.

Soldier Of Love, a faixa que dá nome ao CD, é sensacional. Possui batida marcial, clima ao mesmo tempo dançante e tenso, repleta de guitarras ardidas ao fundo e uma melodia bem encadeada. De quebra, rufar de tambores dão um tempero de marcha militar ao resultado final.

O videoclipe dessa canção é também belíssimo, com direito a coreografia no melhor estilo das dos videos de Michael Jackson e com visual que permeia a capa e as fotos do encarte do CD. Resultado: um clássico instantâneo.

A outra faixa diferente é uma homenagem fofinha da banda a seus herdeiros, ou seja, aos filhos do quais eles cuidaram nesses dez anos longe dos palcos e estúdios de gravação. É Babyfather.

Em uma espécie de reggae entortado para o jeito Sade de fazer música, Babyfather celebra a relação pais/filhos, com uma “garantia vitalícia de amor”, como diz a letra. Fofa demais, bonita demais. Uma graça.

E com participação especial nos vocais de Ila Adu e Clay Matthewman, dois dos herdeiros dos integrantes da banda, nos vocais.

Quem busca a sensualidade e as linhas deliciosas de baixo de Paul S Denman deve mergulhar na envolvente e hipnótica Skin, ou na suave balada blues In Another Time, ou ainda na elaborada The Moon And The Sky.

Soldier Of Love vai revelando suas sutilezas a cada nova audição. Parece o mesmo disco de sempre, mas não é. Tem assinatura forte, mas sem significar repetição desmedida. É um trabalho de muita personalidade.

Além da sofisticação pop dos músicos, obviamente o destaque fica por conta da voz sensual e inconfundível de Sade Adu, que está cada vez melhor.

E a moça não aparenta os 51 anos que tem, igualzinha ao ícone dos anos 80 de que tanto lembramos.

Desde já, um dos primeiros destaques de lançamentos pop de 2010, e que certamente vai merecer entrar na lista dos melhores desde ano que ainda está em seu início.

Mais dois clássicos do U2 em reedições animais

Feb
17

Por Fabian Chacur

Poucas vezes a indústria fonográfica foi tão feliz em uma campanha de reedições de títulos de seus catálogos como a Universal tem sido em relação à discografia do U2. Tipo do trabalho fantástico, para dizer o mínimo.

Você já leu aqui mesmo em Mondo Pop as resenhas dos primeiros quatro títulos. Agora, chegou a vez de dois essenciais para quem curte rock and roll com erre maísculo. São eles The Unforgettable Fire (1984) e The Joshua Tree (1987).

Para mim, esses dois trabalhos marcam o momento em que a banda de Bono (vocal), The Edge (guitarra), Adam Clayton (baixo) e Larry Mullen Jr. (bateria) deixou de ser a grande promessa do rock para entrar de vez no Olimpo do mesmo.

Pride (In The Name Of Love), a rigor o primeiro hit mundial do U2, é o grande destaque de The Unforgettable Fire.

Tipo do single matador, que te ganha logo na primeira audição, e com letra maravilhosa em homenagem a Martin Luther King Jr., um dos seres humanos mais importantes da história.

Esse CD marcou o início da parceria da banda irlandesa com Brian Eno, que ao lado de seu então assistente Daniel Lanois e do técnico de som Flood ajudaram o quarteto a voar mais alto nas experimentações.

O disco também tem outros momentos bacanas, como a empolgante A Sort Of Homecoming e a faixa título. Bad é bacana, mas a versão de estúdio não conseguiu demonstrar seu real potencial.

A releitura ao vivo dessa canção, gravada em novembro de 1984 na Inglaterra e lançada originalmente no EP Wide Awake In America (1985), nos oferece essa canção em sua plenidade, em uma performance iluminada do U2, uma das melhores de sua carreira.

As quatro faixas de Wide Awake In America, assim como diversas outras raridades, integram o segundo CD que vem na embalagem luxuosa dessa e de todas as reedições dessa série, com direito a capa dura, encarte repleto de fotos, informações e letras das músicas. Um luxo, como diria Ataúde Patreze.

O CD seguinte, The Joshua Tree, completou a transformação do U2 em banda de estádios. Pouco antes, em julho de 1985, eles haviam sido um dos grandes nomes no gigantesco Live Aid. Só faltava um CD que capitalizasse esse clima favorável. Foi esse aqui.

The Joshua Tree marcou a primeira vez em que um álbum de Bono e sua turma ponteou a parada americana, algo que hoje é mais corriqueiro do que político metido em escândalo do colarinho branco no Brasil.

Clássicos perenes do repertório do quarteto estão nele, entre os quais With Or Without You, Where The Streets Have No Name, I Still Haven’t Found What I’m Looking For e a simplesmente espetacular Bullet The Blue Sky.

No recheado CD bônus, um dos destaques é a versão de Silver And Gold na qual temos Bono, Keith Richards e Ron Wood, dos Stones, além da versão original da deliciosa Sweetest  Thing.

As novas versões de The Unforgettable Fire e The Joshua Tree são simplesmente sublimes, e a prova concreta de que, quando quer, a indústria fonográfica faz trabalhos que pirataria nenhuma do mundo conseguirá impedir de venderem muito.

Morre Doug Fieger, o vocalista do The Knack

Feb
15

por Fabian Chacur

Em pleno Carnaval, os fãs de rock and roll estão de luto. Morreu neste domingo (14) o cantor, compositor e guitarrista americano Doug Fieger. Ele era líder da banda The Knack, do sensacional hit My Sharona, de 1979.

Fieger foi vítima de um câncer que o atormentava desde 2005. Com 57 anos, ele nos deixa como legado uma das obras mais explosivas do chamado power pop, aquele estilo vibrante de rock marcado por canções concisas.

Tendo como precursores canções dos Beatles, Eddie Cochran, Buddy Holly e The Who, o estilo power pop se desenvolveu nos anos 70 e teve como expoentes o Badfinger, o Big Star e o The Knack, entre outros.

As bandas de power pop nunca perdiam/perdem tempo com conversa mole, e sempre investem em vocais certeiros, riffs vibrantes e refrões contagiantes, em canções que raramente passam dos quatro minutos de duração.

O The Knack surgiu com essa proposta em 1978, e rapidamente ganhou fãs ilustres como Bruce Springsteen, Stephen Stills e Ray Manzarek (tecladista dos Doors). Isso, mesmo antes de gravar.

Seu primeiro álbum, Get The Knack, saiu em 1979. A produção ficou a cargo de um verdadeiro gênio do rock,  Mike Chapman, que atuou com gente do alto calibre de The Sweet, Suzy Quatro e Blondie, só para citar alguns.

Com sua mistura de Beatles, punk, new wave e The Who, o The Knack arrepiou nas paradas logo com o primeiro single extraído do seu álbum inicial. Um single que marcou a história do rock:  My Sharona.

Em plena febre da disco music, o quarteto americano tornou-se conhecido mundialmente graças a um rock com batida marcial, riff alucinante e um refrão (ma-ma-ma-ma-ma-ma-ma-my Sharona) que logo virou clássico.

My Sharona permaneceu no topo da parada americana por seis semanas, e é daqueles clássicos que nunca saem de moda, tendo entrado até em trilhas de filmes, entre os quais Caindo Na Real (Reality Bites-1994).

Mas Get The Knack não é só essa música. O álbum permaneceu durante cinco semanas no número um da Billboard, e é uma coleção de rocks urgentes e deliciosos, entre os quais Good Girls Don’t, Let Me Out e Maybe Tonight. Vendeu seis milhões de cópias no mundo todo.

Depois, a banda não conseguiu se manter no topo. Os discos posteriores venderam bem menos, embora fossem interessantes. O time inicialmente se separou após o lançamento de Round Trip (1981), seu terceiro álbum.

Eles voltaram em 1987, e depois ficaram nessas idas e vindas por muitos anos, fazendo ainda shows bem legais e gravando coisas bacanas. Deixaram um legado dos mais respeitáveis.

Além do já saudoso Doug Fieger, que era o vocalista principal e o guitarrista base, o The Knack era integrado em sua formação clássica por Berton Averre (guitarra solo), Prescott Niles (baixo) e Bruce Gary (bateria).

obs.: na capa do CD, Doug Fieger é o segundo da esquerda para a direita