Jack White, The Edge e Jimmy Page juntos

Feb
4

Por Fabian Chacur

A Todo Volume (It Might Get Loud) é um documentário tão bom que todos ficam buscando uma dentre as suas inúmeras cenas que sirva para defini-lo. Não fugirei a essa tentação, e escolho a parte final.

Nela, Jack White (White Stripes,  Raconteurs, Dead Weather), Jimmy Page (Led Zeppelin) e The Edge (U2) encerram seu maravilhoso encontro tocando e cantando um clássico do country rock.

Ver os três tratando com tanta reverência, tesão e inspiração uma música tão maravilhosa como The Weight, do The Band (lançada em 1968 em Music From Big Pink) é bem revelador do amor deles não pelo virtuosismo masturbatório e inútil, mas pelo que realmente importa: a música.

A grande música. Aquela que arrepia, e que às vezes precisa de poucas notas para aflorar e emocionar. Marcar as vidas de quem as ouve. Os três são mestres nisso, e provaram/provam isso em suas carreiras.

A ideia do diretor Davis Guggenheim foi muito inteligente. Ele reuniu três músicos de gerações distintas para trocar figurinhas sobre música, sobre suas origens, preferências, paixões. Livres, leves, soltos. Tipo bate-papo.

Individualmente, cada um visita e mostra para as câmeras lugares importantes para o início de suas trajetórias, com direito a cenas de arquivo de Page e de The Edge daquelas tiradas dos baús. Emocionantes, sempre.

Concordo com quem ressaltou a emoção com que Jack White e The Edge olham Jimmy Page tocar o riff inicial do clássico Whole Lotta Love, do Led Zeppelin. Afinal, foi ele quem criou aquela passagem sonora tão repetida e imitada nos últimos 40 anos.

A obra-prima tocada pelo seu autor ali, na frente dos dois grandes músicos que, naquele momento, sentiram-se apenas e tão somentes fãs como o mais humilde dos mortais.

Apesar do título, A Todo Volume é muito mais acerca de sutilezas e peculiaridades bacanas do de que exageros impositivos. Um documentário que os fãs do melhor rock and roll não podem se dar ao luxo de perder.

E que deixa claro o quanto Jimmy Page é humilde, o quanto The Edge sabe ser sutil com seu instrumento e o quanto Jack White é talentoso, com tudo para se firmar no mesmo alto patamar dos colegas de documentário. Vá ver já! Agora!

Rainha do rockabilly volta graças a Jack White

Feb
4

Por Fabian Chacur

Que Jack White é um dos grandes nomes do rock atual e o maior de sua geração no setor, não tinha a menor dúvida. O trabalho dele com White Stripes, Raconteurs e Dead Weather é realmente de primeira linha.

Mas agora o cara resolveu ganhar um conceito do tipo nota mil comigo. Além de brilhante participação no documentário A Todo Volume (leia crítica a seguir), ele resolveu tomar uma atitude de gênio.

Ele simplesmente resgatou de um longo anonimato Wanda Jackson. Para quem não sabe, trata-se da melhor e mais vibrante intérprete de rockabilly de todos os tempos. Uma verdadeira Elvis/Carl Perkins de saia!

White toca guitarra e produz, além de trazer seus colegas de Raconteurs Jack Lawrence (baixo) e Patrick Keeler (bateria) para a gravação de inicialmente um EP e logo em seguida um álbum completo com Wanda.

Entre outras faixas, o CD incluirá releituras de You Know I’m No Good, de Amy Winehouse, e Shakin’ All Over, sucesso nos anos 60 com o grupo Johnny Kid & The Pirates. O disco deve sair em breve. Que saia logo!

Wanda Jackson nasceu em 20 de outubro de 1937 em Maud Oklahoma, cidade que fica pertinho da Oklahoma mais famosa. Do final dos anos 50 aos anos 70, lançou trabalhos seminais.

Inicialmente, ela era uma roqueira rebelde de voz rascante e empolgada, emplacando singles matadores como Let’s Have a Party, Riot In Cell Block # 9 e especialmente Fujiyama Mama, um desses petardos comparáveis aos dos grandes reis do rockabilly.

Depois, passou a se dedicar ao country, e continuou fazendo coisas muito boas. Uma boa amostra de sua obra é a excepcional coletânea Rockin’ In The Country (1990), da Rhino Records, com 18 faixas, todas elogiáveis.

Graças a Deus Wanda, aos 72 anos, continua saudável e na ativa, e pode curtir essa bela homenagem feita por Jack White, que em 2004 também produziu o disco de outra diva clássica do country, Loretta Lynn. Viva!

Haven’t You Heard-The Best Of Patrice Rushen- Patrice Rushen (Elektra-1996)

Feb
2

Por Fabian Chacur

A principal referência para quem pesquisa sobre essa fantástica cantora, compositora e tecladista americana é a música Forget Me Knots. Lançada em 1982 como single e faixa do álbum Straight From The Heart, é um belo cartão de apresentações.

Canção balançada e de refrão delicioso, atingiu o posto de número 23 na parada pop americana, e foi sampleada por George Michael (na faixa Fastlove )e Will Smith (no tema do filme Men In Black), só para citar dois caras que usaram (bem) essa música.

Mas a obra de Patrice vai muito além disso. Ela iniciou sua carreira ainda muito moleca. Entre 1974 e 1977, lançou três álbuns de teor mais jazzístico pelo prestigiado selo Fantasy. Boa repercussão e boas expectativas.

Que acabariam se concretizando quando ela assinou com a Elektra, selo do conglomerado Warner, no ano seguinte. Entre 1978 e 1984, lançou ótimos discos por ali, e firmou um estilo único e original.

Cantora de voz doce, Patrice Rushen é de quebra excelente compositora e tecladista, e moldou uma sonoridade entre o funk, o jazz, o soul, o rock, o pop e mesmo a disco music, oferecendo ao ouvinte acessibilidade, sofisticação e faixas realmente espetaculares.

A coletânea Haven’t You Heart-The Best Of Patrice Rushen resume com categoria os anos áureos da moça enquanto artista solo, com 14 faixas não menos do que ótimas lançadas entre 1978 e 1987.

O pique dançante e festeiro de Hang It Up, a batida disco sofisticada de Haven’t You Heard, a sensualidade de Givin’ It Up Is Givin Up (dueto com D.J. Rogers), a latinidade salerosa de Look Up!….. Meu Deus!

E tem também a doçura das baladas soft When I Found You e Remind Me, o balanço vigoroso de Never Gonna Give You Up e Breakout!, a delícia instrumental Numbert One

No final dos anos 80, Patrice Rushen, para tristeza de seus fãs, resolveu largar mão da carreira solo. Mas os projetos que abraçou não foram menos grandiosos. Ela também lançou eventuais álbuns jazzísticos como Signature.

A moça foi durante anos diretora musical da cerimônia de entrega do Grammy, o Oscar da música, e participou como tecladista e maestrina de projetos envolvendo gente do alto calibre de Quincy Jones e Lee Ritenour (neste último, tocou junto com o brasileiro Ivan Lins).

Haven’t You Heart The Best Of Patrice Rushen é uma dessas coletâneas que você ouve de ponta a ponta, para se animar, curtir ao lado da namorada, enfim, sentir muito, mas muito prazer mesmo.

E, é lógico, Forget Me Knots não poderia deixar de marcar presença, com sua classe de hit com recheio e substância.

Mas quem pensa ser essa a única música da moça, recomendo esta coletânea e também o álbum de carreira Straight From The Heart (1982), o seu maior sucesso em termos comerciais.

Ed Motta e seu Piquenique: arrogância sem sal

Jan
31

Por Fabian Chacur

Quando surgiu ainda adolescente no cenário musical brasileiro, no finalzinho dos anos 80, Ed Motta foi saudado pelos apressados como o futuro da soul music brasileira. Ser sobrinho de Tim Maia o ajudou bastante, nesse sentido.

Mas desde o começo Mister Ed mostrou que não merecia tal confiança. Tanto que não demorou para arrumar encrencas com o Síndico, simplesmente o maior gênio da soul music brazuca. Não podia prestar.

Os anos se passaram. Hoje beirando os 40 anos, o cantor, compositor e músico carioca conseguiu cativar um público restrito que vai a seus shows, mas compra seus discos em quantidades limitadas.

Depois do início com os hits fracotes Manuel e Vamos Dançar, Mister Ed tentou sofisticar seu trabalho, lançando gororobas metidas a besta do naipe de Entre e Ouça, Dwitza e Aystelum, entre um e outro disco mais, digamos assim, comercial.

A tal “sofisticação”, na verdade, baseia-se em cópias descaradas de obras do Steely Dan, uma da melhores bandas dos anos 70 e criadora de uma sonoridade que mistura rock, soul, funk, jazz e pop de forma única, ajudando a criar o padrão do pop radiofônico mais sofisticado das décadas que viriam.

Como pouca gente conhece o Steely Dan a fundo por aqui, assim como os melhores expoentes da disco music e do funk americano e europeu dos anos 70, o “sobrinho” os copia na cara dura, e nem todo mundo nota.

Na verdade, só seu não tão grande assim fã-clube engole o que ele faz, assim como alguns críticos tão desinformados quanto ele. E a vida segue.

Piquenique, seu novo lançamento pela Trama, é uma tentativa de “retomar uma sonoridade mais pop”, na definição de seu autor. Na verdade, mantém o saque a fontes bem mais bacanas.

A faixa Minha Vida Toda Com Você, que abre o disco, por exemplo, decalca na cara dura o riff de Bad Girls, hit de Donna Summer. Mensalidade, com letra absurdamente ridícula, se apossa da sonoridade dos Whispers.

A faixa título, então, é o melhor exemplo do xerocopismo de Mister Ed.

Copia trechos de Best Of My Love do grupo vocal feminino americano Emotions (aquela mesma aproveitada por Maurício Manieri em Minha Menina), Rikki Don’t Lose That Number, do Steely Dan, e de quebra New Frontier, do primeiro disco solo de Donald Fagen (do Steely Dan), The Nightfly. Acha que é tudo? O pior ficou para o final.

A Turma da Pilantragem, como o título “genial” já entrega, tenta ser uma homenagem ao som que Wilson Simonal fazia no final dos anos 60, e soa como cópia de, pasmem, Stop, das Spice Girls.

A música é um dueto com a insossa Maria Rita. E aí, vira várzea: o sobrinho de Tim Maia dando vexame em dueto com a filha de Elis Regina. Tem hora que parente só serve mesmo para encher o saco.

Piqueninque tem tudo para encalhar, como os trabalhos anteriores de Mister Ed. Que continua sendo medíocre, a milhas e milhas de distância dos trabalhos de Tim Maia, Cláudio Zoli, Cassiano e outros gênios do soul brasileiro. Ele só ganha no quesito arrogância….

Obs.: a capa é páreo duro no quesito “a mais horrível do pop brasileiro nos últimos 50 anos”!

Welcome To The Real World- Mr. Mister (1985)

Jan
30

Por Fabian Chacur

Para os desanimados que acreditam ser a sorte um cavalo que só passa pela gente uma única vez na vida, e que se não o montarmos na hora certa é caixão e vela preta, a trajetória de Richard Page merece ser conferida.

O cantor, baixista e compositor americano nascido na cidade de Phoenix teve sua primeira experiência mais séria em música com a banda Pages, ao lado do tecladista e vocalista Steve George.

O Pages lançou três discos entre 1979 e 1981 em uma linha de jazz rock com pitadas pop. Não deu certo. Enquanto isso, a dupla participava de gravações de estúdio e shows com Village People, Andy Gibb, Al Jarreau e outros.

Em 1982, juntaram-se a outros veteranos de trabalhos em estúdios e shows, o guitarrista Steve Farris e o baterista Pat Mastelotto, e criaram uma nova banda, denominada Mr. Mister.

Enquanto batalhavam por um contrato de gravação, surgiu uma bela chance para Page. Ele foi convidado para substituir Bobby Kimball como vocalista do Toto, banda que vivia o seu auge naquela época.

Richard pensou bem e preferiu continuar apostando em seu próprio projeto. Em 1984, o Mr. Mister foi contratado pela RCA e lançou o álbum Wear The Faces, que vendeu muito pouco e não emplacou um único hit.

Lembram do tal cavalo selado? Pois surgiu um segundo passando por ele. O Chicago ficou sem Peter Cetera, que resolveu ser artista solo, e convidou Richard Page para a vaga.

De novo, ele disse não, ainda acreditanto em seu próprio projeto.

O que diria um observador comum? “Ah, esse cara brincou com a sorte e não foi para lugar algum”. Pois bem. Em 1985, chegou a vez de Richard Page enfim rir por último. E como riu melhor!

Welcome To The Real World, segundo álbum do Mr. Mister, provou ser o disco certo na hora certa. Demorou um pouquinho para pegar no breu em termos comerciais, mas quando isso ocorreu, foi um banho.

Das dez faixas, três fizeram muito sucesso. A espetacular e climática balada eletrônica/pop Broken Wings e a pop/gospel Kyrie chegaram ao número um na parada americana, enquanto a sacudida Is It Love, tema do filme Tocaia, chegou ao oitavo posto.

Impulsionado por esses três singles certeiros, Welcome To The Real World atingiu o topo da parada ianque em março de 1986. Bela façanha para uma banda que há pouco era considerada sem futuro.

O disco é excepcional, uma aposta em tecnopop, rock, baladas e funk, com melodias bacanas e timbres instrumentais que não soam datados mesmo neste 2010. Os caras tocavam muito e tinham bom gosto.

As dez canções são legais. As vibrantes e contundentes Black/White e Uniform Of Youth e a sacudida faixa-título são outros destaques de um trabalho pop equilibrado, com doses precisas de qualidade instrumental e vocal, sofisticação e acessibilidade.

Pena que a coisa ficou por aí. Eles lançaram em 1987 o álbum Go On, que fez pouco sucesso. Em 1989, após ter um novo disco rejeitado pela RCA, que o considerou muito “progressivo”, o quarteto saiu de cena.

Richard Page continuou atuando como vocalista de apoio e compositor em diversos projetos bem-sucedidos, e é o coautor de um grande sucesso de Madonna, I’ll Remember.

Os outros integrantes também se viraram bem no mercado pop como session men, sendo que o baterista Pat Mastelotto entrou no consagrado grupo de rock progressivo King Crimson em 1994.

Paul McCartney e uma celebração em Nova York

Jan
28

por Fabian Chacur

Em 1965, os Beatles levaram mais de 50 mil pessoas ao Shea Stadium, em Nova York, um recorde inigualável para um concerto de rock, na época. O show virou um marco histórico da cultura pop.

O local foi fechado em 2008, com show de Billy Joel do qual Paul McCartney participou. Em setembro de 2009, o local renasceu após uma reforma com o novo nome Citi Field. Coube ao autor de Yesterday o pontapé inicial.

O registro do melhor ocorrido nos três shows, que reuniram a exata marca de 109.397 pessoas, acaba de sair no Brasil, com o título Good Evening New York City. O conteúdo é excelente.

O pacote, lançado pela Universal Music, contém um CD duplo e um DVD, ambos com o mesmo repertório. São aproximadamente três horas de música que simplesmente deixarão o fã abismado.

Como um cidadão com 67 anos na época da gravação pode esbanjar tanta energia? Cantar músicas gravadas há mais de 40 anos no mesmo tom? Dar um banho de carisma e jovialidade? Emocionar a plateia presente com total facilidade?

Não é para qualquer um. McCartney se desdobra em baixo, guitarra, violão e teclados, acompanhado pelo braço direito Paul Wix Wickens (teclados, com ele desde 1989) e pelos jovens e talentosos Rusty Anderson (guitarra, vocais), Brian Ray (guitarra, vocais) e Abe Laboriel Jr. (bateria, vocais).

Paul retribui a gentileza e traz Billy Joel para um belo duelo com ele em I Saw Her Standing There, no qual o cantor e compositor americano faz vocais e também toca piano. Mais um registro para os anais do rock and roll.

O repertório equivale a uma bela viagem pela carreira de Paul, com clássicos dos Beatles como Drive My Car, Let It Be, Eleanor Ribgy e Helter Skelter, hits da carreira solo como My Love, Let Me Roll It e Live And Let Die e outras.

O bacana é que as canções de discos mais recentes não só não destoam no meio de tantos clássicos como arrepiam do mesmo jeito.

Maravilhas como Only Mama Knows e Dance Tonight, do recente Almost Full (2007) são bons exemplos. Ou mesmo duas do projeto Fireman, as vibrantes Highway e Sing The Changes.

O DVD mostra que, apesar de ao vivo o astro contar com forte apoio visual (telões, iluminação) o que realmente emociona a multidão presente é o impacto que essas canções todas provocam em quem tem bom gosto.

Paul McCartney nasceu para ser um astro, e o palco é o seu habitat natural. Não é de se estranhar que esse Good Evening New York City chegue ao mercado já com o rótulo “clássico” nele. Merecidíssimo!

Destaques finais: I’m Down, dos Beatles, que no DVD tem cenas da performance atual mixadas com a dos Fab Four naquele longínquo 1965. Fantástico! E a capa do CD, simplesmente apoteótica e com cara de poster.

Scorpions anunciam separação, mas não para já

Jan
25

Por Fabian Chacur

Se há algo de que gosto, é humor involuntário. E isso marca a notícia divulgada neste domingo (24) pelo tablóide alemão Bild: o Scorpions, uma das mais famosas bandas alemãs de rock de todos os tempos, vai acabar.

Até aí, normal. Grupos começam e terminam todos os dias. Coisas da vida. O engraçado fica por conta de como o guitarrista Rudolf Schenker deu essa notícia, apoiado pelo vocalista Klaus Meine.

Eles disseram que o grupo, que lançou seu primeiro álbum em 1972, sairá de cena, sim. Mas, antes, vai lançar um novo CD em março, intitulado Sting In The Tail, e depois sai para uma última turnê……

……prevista para durar de dois a três anos!!! Ou seja, o grupo dos rockers ‘n’ ballads só irá para o saco lá por 2013. Se é que haverá planeta até lá.

Um colega do R7 matou a charada: “se eles não anunciassem a separação, ninguém iria falar nem desse disco novo, nem dessa turnê interminável.

Na verdade, os Scorpions vivem de seu passado de glórias desde os idos de 1990/1991, quando emplacaram seu último grande sucesso, a balada Winds Of Change. Desde então, lançam discos medianos e fazem turnês rotineiras.

Mas eles tiveram seus anos de ouro, especialmente na década de 80, quando seus álbuns entraram no top 10 da parada americana e os caras tiveram uma performance história no Rock In Rio 1, em janeiro de 1985.

Sua mistura de rocks vibrantes como Rock You Like a Hurricane e Blackout e baladas como Still Loving You funcionava às mil maravilhas, apoiada pela voz potente de Meine e as guitarras entrosadas de Schenker e Matthias Jabs.

Vão deixar saudade, se é que esse fim de linha irá acontecer mesmo. Mas o argumento utilizado por Rudolf Schenker é válido: “queremos sair de cena de forma digna, enquanto ainda temos energia”. E que venha 2013! Ou 2014, 2015…

Live/Indian Summer- Al Stewart (1981)

Jan
23

por Fabian Chacur

Nascido na Escócia em 5 de setembro de 1945, Al Stewart teve de penar bastante para conseguir se tornar um artista de sucesso comercial. Do primeiro álbum, em 1967, até o estouro, em 1976, foram nove longos anos.

Nesse período, o cantor, compositor e músico evoluiu de um estilo trovador folk a la Bob Dylan e Donovan quase que totalmente acústico para um artista de estilo mais pop-rock, embora sem nunca deixar de lado aquelas seminais influências iniciais.

Com o excepcional álbum Year Of The Cat (1976), produzido por Alan Parsons, ele se tornou conhecido mundialmente e viveu anos áureos. Live/Indian Summer é o ápice desse período.

Lançado em 1981, ele saiu originalmente como um álbum duplo de vinil. O lado 1 trazia cinco gravações inéditas feitas em estúdio entre junho e agosto de 1981. O repertório é interessante, com destaque para a deliciosamente pop Delia’s Gone, uma de suas melhores nessa praia.

Here In Angola é um rock bem bacana, enquanto a doce Indian Summer cumpre bem a missão de ser faixa título. Pandora e Princess Olivia completam a escalação de forma discreta, mas sem comprometer.

Os lados 2, 3 e 4 do vinil ofereciam ao ouvinte uma seleção de faixas gravadas ao vivo entre 28 e 30 de abril no teatro Roxy, em Los Angeles.

No acompanhamento, a banda Shot In The Dark, que esteve a seu lado no álbum que ele gravou em 1980, 24 Carrots/Parrots.

O repertório traz duas faixas de 24 Carrots/Parrots, o sacudido rock Running Man e a balada de inspiração medieval Merlin’s Time, e investe em uma certeira geral no que de melhor Al fez em sua carreira.

As versões ao vivo de seus maiores hits, Year Of The Cat (que fecha o álbum ao vivo) e Time Passages são ótimas, assim como a de outra canção que ficou razoavelmente conhecida, a sacudida e com influências hispânicas On The Border.

O lado 3 do vinil foi reservado para os momentos mais épicos, com versões fantásticas de duas músicas de Past, Present And Future (1974), seu álbum mais visionário, que procura contar a história do século 20 até ali.

Roads To Moscow, com seus 8m13 de duração, traz como destaque o violão e a voz de Stewart, além das vocalizações e do acompanhamento instrumental impecável do grupo Shot In The Dark.

Nostradamus , também de Past, Present And Future, é ampliada e surge em pot-pourry com a maravilhosa (e até então inédita) World Goes To Riyadh, gerando uma das faixas mais empolgantes da discografia de Al Stewart.

São 13 minutos durante os quais influências folk, rock e mesmo orientais levam o ouvinte a um verdadeiro transe. Você literalmente abre as portas da percepção ao ouvi-la. Experimente, e saia ileso da experiência, se for capaz…

Live/Indian Summer é um desses discos que combinam material inédito em estúdio e registro de shows com rara maestria, e equivale ao auge da carreira de Al Stewart.

A partir daí, ele lançou bons trabalhos e se mantém na ativa até hoje, mas nada com a consistência e a relevância dessa era de ouro. Mesmo assim, vale acompanhar a sua produção, como, por sinal, tenho feito esses anos todos.

Inicialmente, Live/Indian Summer existia no formato CD apenas como Live At The Roxy Los Angeles 1981, excluindo as gravações de estúdio, que por sua vez viraram faixas-bônus da versão em CD de 24 Carrots/Parrots.

Hoje, no entanto, você pode encontrar a versão na íntegra desse álbum, embora não em qualquer loja/site.

DVD mostra Dire Straits ao vivo em 1979

Jan
23

por Fabian Chacur

O Dire Straits viveu duas fases distintas, em sua carreira. A primeira, que rolou de 1977 a 1980, foi provavelmente a melhor, e tem agora um belo registro em DVD disponível. Trata-se de Sultans Of Swing-Live In Germany.

A primeira boa notícia é que o DVD, lançado no Brasil pelo selo Top Tape, está sendo vendido por um preço bastante convidativo, que varia de R$10 a R$20. A outra é que a qualidade da performance da banda no mesmo é excepcional.

Nessa época, o ex-jornalista e professor Mark Knopfler completava 30 anos de idade, e assumia de uma vez por todas a profissão de cantor, compositor e guitarrista de rock. O que começou como hobby virou ganha-pão forever.

Ao seu lado, o irmão David Knopfler na guitarra-base, John Illsley no baixo e Pick Whiters na bateria. Uma formação compacta e de entrosamento absurdo, que lançou dois excelentes discos de estúdio.

Dire Straits (1978) e Communiqué (1979) eram uma espécie de contra-senso, na época: em plena era do punk, new wave, heavy metal e disco music, uma banda tocando puro rock básico/clássico.

A inspiração de Mark Knopfler desde o início sempre foi a fusão rock-country-folk, com tempero de reggae e blues. Influências fundamentais: Bob Dylan e Eric Clapton no vocal e composições (Clapton também no estilo de tocar guitarra) e o grupo britânico The Shadows nos timbres de guitarra.

A canção que abriu as portas do quarteto para a fama foi Sultans Of Swing, seu primeiro single, e faixa de destaque do álbum de estreia. Um rock ágil, dylaniano, uma das raras canções do estilo a tocar em rádios brasileiras nos idos de 1978/79.

Sultans Of Swing Live In Germany flagra o grupo britânico gravando um especial ao vivo nos estúdios do programa Rockpalast, exibido pela tevê alemã. Na plateia, em torno de cem sortudos.

O repertório mostra, praticamente na íntegra, o repertório dos dois primeiros álbuns, com Sultans… sendo interpretada por duas vezes. São 15 canções, no total, em 84 minutos de show.

O Dire Straits, nesse período, era um grupo compacto, que brilhava graças a um minimalismo inteligente, arranjos instrumentais de muito bom gosto e uma simplicidade criativa que só os grandes grupos atingem.

A voz a la Dylan e a guitarra ágil e sempre limpa de Knopfler são os pontos principais de atração da banda, mas não os únicos. O irmão mais novo David lhe dá um impecável apoio, na guitarra-base.

O baixista John Illsley, único integrante que o acompanhou até o final do Dire Straits, nos anos 90, mostra total segurança e estabilidade, enquanto fica para o baterista Pick Whiters a função de arma secreta.

O cara é um daqueles bateristas âncora, que não perde uma única batida rítmica e que prima sua atuação pela sutileza e pelo swing sempre irrepreensível. Sua saída da banda, no início dos anos 80, ao lado da de David Knoplers, são marcos da mudança do som do Straits.

Em termos visuais, este DVD peca por uma qualidade não muito boa, relembrando aquelas gravações feitas em VHS de programas de tevê, com eventuais problemas de tomadas fora de foco.

No entanto, o áudio é excelente, e compensa essa deficiente captação de imagem. Afinal de contas, mais vale música boa com qualidade de imagem regular do que as bandas Calypso da vida em sensurround.

O show é excepcional, e flui de forma deliciosa, ainda mais pelo espírito intimista criado pelo estúdio onde foi gravado. A interação do quarteto com a plateia é ótimo.

Destaques do repertório, além de Sultans Of Swing: Single Handed Sailor (com solos excepcionais de Mark), o reggae Once Upon a Time In The West, o rock ágil Lady Writer, a rockabilly Eastbound Train e a vibrante Down To The Waterline.

Nos anos 80, o Dire Straits passou a se apresentar ao vivo com no mínimo seis músicos, e ganhou uma sonoridade mais próxima do arena rock, fazendo um som mais pop e feito sob medida para fãs não radicais de rock.

Ou, como gosto de dizer, “rock para quem não gosta de rock”. Lotaram estádios e se tornaram uma megabanda, com direito a performance até no show beneficente Live Aid, com grande destaque.

Não ficou ruim, e Brothers In Arms (1985) é sem sombra de dúvidas um dos grandes clássicos do rock dos anos 80. Mas não posso negar que a fase inicial do Dire Straits, flagrada neste DVD, me arrepia muito mais.

B. B. King volta, ZZ Top vem pela primeira vez

Jan
15

por Fabian Chacur

No dia 16 de setembro de 2010, Deus irá permitir que B.B. King comemore o seu aniversário de número 85. Antes disso, porém, o mestre supremo do blues voltará a nos visitar para mais um show inesquecível.

O intérprete de The Thril Is Gone e tantos outros clássicos, uma das figuras mais simpáticas que já tive a honra de entrevistas, tem show marcado para o dia 19 de março em São Paulo, na Via Funchal.

OK, eu adoro tirar sarro de artista que vem toda hora ao Brasil, mas não dá para reclamar quando o nome em questão é o de alguém desse porte. Vi Mister King em 2006, e posso garantir que seus shows continuam seminais.

Meu primeiro papo com Riley B King foi em um distante 1986, no hotel Transamérica, um dos momentos mais emocionantes de minha carreira. E tive outras oportunidades de falar com ele. Que simpatia!

Alguns artistas com muitíssimo menos bagagem e metidos a besta que dá medo deveriam aprender com esse embaixador mundial do blues como se trata as pessoas e os jornalistas. Ganhariam muito!

Na categoria estreias, o ZZ Top enfim vai dar o ar de sua graça em nossos palcos. Em Sampa City, o show também será na Via Funchal, no dia 20 de maio, curiosamente aniversário do meu saudoso irmão Victor.

Com 40 anos de estrada, o trio americano formado por Billy Gibbons (guitarra e vocal), Dusty Hill (baixo) e Frank Beard (bateria) criou uma espécie de boogie rock que ainda se mantém contagiante.

Pode não ser aquela banda que faz parte do top 10 de pessoas como eu, mas certamente é do time que venceu pelo talento, faz shows vibrantes e possui fãs pelos quatro cantos do mundo. Reserve o seu ingresso!